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26/12/2008

Anatomia do idiota

Um idiota se define pela sua roupa, pelo seu cabelo: a roupa dele é idiota, o cabelo dele é idiota. Meu vizinho, por exemplo. Deve estar na casa dos 50. Ontem, fez questão de envergar uma bermuda amarela, com motivos em preto, daquelas que terminam pelos joelhos. Era a imagem da idiotia, como a dizer: vejam, ganhei de Natal (esta coisa horrível). O cabelo, meio espetado, penteia para trás. Dá pra notar a tinta. Deve passar horas diante do espelho, a ver se lhe salva alguma qualidade física, pois as morais, perdeu-as todas. Trata-se de um delegado. Ignora o significado da palavra cidadania, com toda certeza. Se mal a conhece, é para resguardar seu “direito” de ser o imbecil que é. A estupidez dele me lembra a de meu ex-cunhado, talvez o maior idiota de que se tem notícia neste mundo de deus. Aquele pedaço d’asno guardava biscoitos e chocolates na geladeira e costumava xingar se alguém os comesse. Era meio gordo, feio como só um idiota consegue ser. Tinha uma verruga no nariz. O nome, Ricardo, também era próprio dos piores idiotas. A calça, sempre no pescoço, atada por um cinto. Camisas pólo, naturalmente. Ouvia muito um entulho musical dos anos 80, o Marillion (na burrice dele, considerava aquela ahn... bosta um "must"). E jogava futebol de salão, como todo bom idiota.