02/05/2009

Degradação ambiental

A mineradora Vale, em consórcio com o Governo de Minas Gerais, está promovendo a destruição da Serra do Tamanduá, um santuário ecológico na região central de Minas Gerais. A empresa vai despejar os resíduos da mina sobre população e bioma locais, tudo com as bençãos do Aético Snif Snif Neves. Vejam o vídeo no blog do Massote: vídeo

Ilustra pro artigo: Porões da ditadura

29/04/2009

Outro dia, liguei a TV num momento de descuido (não faço isso há tempos) e estavam lá três escritores cinquentões, numa mesa-redonda, debatendo não lembro bem o quê. Como característica comum, exibiam três rotundas barrigas, provavelmente cevadas a muita cerveja, uísque e comida vagabunda, entremeadas a longos dias e noites a serviço da palavra, essa mãe bonita, mas terrivelmente madrasta. Veio-me então à cabeça a razão pela qual muita gente evita o ofício de escritor: medo de pegar barriga. Duvida? Então faça o teste. Passe um dia, um mês, um semestre, um ano, uma década diante da tela de um computador parindo palavras e confira o resultado. Se não tiver cultivado uma boa barriga, estará no mínimo flácido e pelancudo. Para piorar, você terá perdido o tesão de caminhar ou fazer exercício, pela simples e boa razão de que aquilo o fará passar preciosas horas distante do teclado. E, para quem vive da palavra, isso é uma verdadeira temeridade. Portanto, se quer escrever, pode desistir do corpicho e dar muitos vivas à velha e boa barriga!

28/04/2009

Querem saber o que realmente está causando a gripe suína? Deêm uma lida no artigo de um especialista no assunto, originalmente publicado no site SinPermisso e replicado no blog do Massote. A tradução, do espanhol para o português, é deste que vos fala: Gripe suína

26/04/2009

Informe de actividades y reflexión culinaria

Paso el tiempo mirando las nubes desde hace un mes y eso no es malo. No pratico más la sagrada caminada diaria desde 2007, cuando tuve un cierto problema en las rodillas que me previene de altos impactos con la pierna izquierda (siempre la izquierda). No hago deporte desde que mi vida ha cambiado para seguir la misma, tampoco estoy remotamente preocupado. No me doy con las sustraciones, sobretodo en especie, a veces fumo cigarillos y el viernes me emborracharé de nuevo. Me gusta el café sin azúcar por las mañanas y de pensar en la ominosa política, nacional o internacional, en el fondo, dos (mala)caras de la misma moneda. De momento, medito en lo que haré para comer en el almuerzo (?carne? ?macarrón? ?macarrón con carne?) y, sobretodo, si el verbo comer, en español, se aplica también para las cosas sexuales. Interesante todavía el hecho de que los españoles usan la misma palabra para “cozinha” y “fogão” (“cocina”). De ahora en delante, hay que tener más cuidado al se decir a una chica “séntate en la cocina que ya voy”).

25/04/2009


Deu na Folha: "Congressitas defendem salário maior em troca de transparência"

23/04/2009


Em primeira mão: a liminar para a desocupação do terreno próximo ao bairro Céu Azul, em Belo Horizonte, foi cassada pela Justiça. O terreno volta então a ser dos antigos moradores, que, organizados em movimento, derrotaram interesses poderosos. Parabéns à Ocupação Dandara!! Leiam mais no blog do Massote.

21/04/2009


Charge para ilustrar o artigo "O Juiz é meu amigo",do Massote

Carta para una bailaora de flamenco

Apreciada Antonia Moya
Escribo no para hablarte de tus ojos matadores, que, de muy cerca, volverían loco a un hombre desavisado como yo. Tampoco escribo para hablarte de mi, cuyas lamentaciones han sólo que calar ante tus danzas en technicolor. Escribo, pues, para decirte cómo me encanta verte disolver por las tres dimensiones del espacio y reunirte de nuevo a un giro, como si fueras el viento. Escribo para decirte cuánto me gusta – a mi y a quién se disponga a ir a tus altuaciones – verte bailar por los tablaos al sonido de las guitarras, síntesis plástica del movimento latente en la ancestral canción flamenca. Escribo para hablarte de la estupefacción de la que soy tomado al sentir la fuerza con que pisas la madera, como si pisaste las uvas para el vino bueno. Eres también, por supuesto, un ser lleno de dudas, deseos, ambiciones, debilidades y de toda la fascinante confusión que suéle llamarse mujer. Pero, a mi no interesan, acepta mis excusas, tus miedos, tus afliciones financieras, el pescado te toca comer para el almuerzo, la vida cotidiana en la que te encuentras inmersa y la que te asemeja a una mujer como otra cualquiera, aunque dotada de ojos matadores como dos afiadas espadas. Interesame más que, si tu existes y si hay un nombre para lo que haces, ese nombre es sueño, fauna, flora o vértigo y que soy, por fin, muy grato por los colores que diseñas en el éter, cuando te mueves por los tablaos estrechos del alma.

20/04/2009

Bomba!

Querem um furo? O Massote acaba de me contar que o processo contra o abominável deputado do castelo foi derrubado por suas deficiências técnicas. Na época em que o processo foi apresentado, o dito cujo contava ainda com foro privilegiado, razão pela qual o processo resulta inválido. A pergunta é: será que isso já não era de se esperar e fizeram o processo assim mesmo, sabendo que não daria em nada?
Penso em fazer uns quadrinhos com esse texto aí no pé. Haja tempo...

14/04/2009

Ocupação Dandara

Mandaram baixar o pau em 150 pessoas que ocupavam pacificamente uma região na periferia de Belo Horizonte. A ocupação era ordeira e mantinha a região a salvo dos traficantes, que procuram sempre dominar a população pobre de BH. A repressão à ocupação Dandara (foto) gerou protestos e um manifesto dos ocupantes daquela área, com vídeo no youtube e tudo mais. Mais detalhes no blog do Massote: Ocupação Dandara

13/04/2009



Versão em português do desenho abaixo.

12/04/2009

Almuerzo

Fragmentos de memoria 1: estoy en casa de mis tías para un almuerzo. Oigo la mayor deshilar su rosario habitual de quejas y enfermedades. Hablamos de los parientes que ya no vemos, de la crisis, de la recesión (palabra dicha como si fuera nueva), del viaje al Amazonas, de los mosquitos y de la mala suerte en general. Pasamos, por fin, a la mesa, soy confrontado con un plato de pescado, comido con hombría, sigo al arroz, a la torta, llegando al inevitable salpicón. Sobrevivo a todo eso, un cafecito y ellas charlan de como todo se queda mejor, malgrado la crisis, de como hace diez años tuvimos una etapa mucho más terrible. Finjo que creo, me despido con la contenida y necesaria efusividad y ya estoy en la calle. Hace frío, el cielo está gris, llueve. Paraguas: nunca me acuerdo de los paraguas.
Fragmentos de memoria 2: estoy en una librería cualquiera, pregunto por clasicos en español, segundo la chica no hay muchos, sólo versiones de Sidney Sheldon (!). Inútil preguntar por Cortázar. Recuerdo de los ojos de mi tía, extraños como los de un personaje de Cortázar: dos pelotas verdes y líquidas, agitandose, febriles (a veces, se les cae una lágrima – no de dolor o de llanto, a causa del polvo). De vuelta a la calle por la escalera mecánica, un hombre pide limosnas que no las daré. Pienso en el gran dibujo que nunca haré, en las mujeres que no tendré, en como me gustan las chicas de ancas largas, en como son irreales algunas que ya se fueron, en como no se debe pensar con el hígado para no peorar las cosas. Hace frío, el cielo nunca estuvo tan gris. Paraguas: nunca me acuerdo de los paraguas.


É na Itália, mas poderia ser aqui.

10/04/2009

Mais do lobo uivante! Vejam do que o homem é capaz...

09/04/2009

Querem saber do que eu gosto? Ouçam isto aqui (cigarro de palha e café ajudam na escutação): Howlin Wolf

Não é minha política copiar e postar coisas alheias, mas esta charge aqui ficou demais. Foi tirada do El país.

08/04/2009

Instruções para a HQ aí embaixo

A história "A morte do tabelião", que me deu muitas alegrias, deve ser lida de baixo pra cima. Cliquem na imagem e a página aparecerá grande. Gracias, gracias.

06/04/2009

Guz

Voz tonitruante, gargalhadas satânicas, óculos de lentes grossas, barriga proeminente, a perna esquerda com sérios problemas reumáticos. Guz é um tipo curioso de caricaturista, não apenas no aspecto físico. Em certo sentido, parece-se com o Lacarmélio, aquele quadrinista que sai por aí vendendo a si mesmo pelas esquinas, misturando atividade artística com publicidade. A exemplo do autor de “Celton”, Guz se auto-promove o tempo todo, exaustivamente, com bottons, cartões, sites, blogs na internet e até ímãs de geladeira. Suas caricaturas são reverentes, retratos bem-educados de seus modelos. Baseiam-se mais na relação entre artista e modelo, construída durante o trabalho, marcado pela conversa fluida e bem-humorada. E a sua prosa é, talvez, o que ele tem de melhor, eivada de palavrões e referências a mulheres, cheia de histórias pitorescas da ditadura militar, sempre com um olhar crítico para a caótica Belo Horizonte atual. Já os desenhos são os de um publicitário, mais que os de um caricaturista. Não por menos, vendem incrivelmente bem. Já fiz muita caricatura em boteco e sei como essa arte é difícil: as pessoas querem sempre “sair bem na foto”. Guz costuma fazer seus retratados melhores do que eles são. E também faz o lado palhaço que todos querem ver no cartunista. Resultado: ganha mais com a caricatura do que com a magérrima aposentadoria de engenheiro.

03/04/2009

Irrthum

Trabalhei com o Luciano Irrthum no "Tempo". Era um cara tão "sui generis" quanto seu nome, com aqueles dois estranhos erres no meio. Tudo que tocava virava desenho. Fazia-o infinitamente bem, sem medo de errar, numa produção vulcânica para o jornal. E era um cara ótimo, fino, desencanado, meio punk, muito boa praça, um dos melhores papos da redação. Um dia, chegou e me disse: "tomei duas caracus com ovo antes de vir trabalhar, cara!" A jornada massacrante no jornal provavelmente o obrigava a essas flutuações. Tinha de desanuviar, fosse desenhando, fosse batendo papo ou bebendo uma caracu com ovo. Certa vez, fez uma caricatura minha, com a tampa da cabeça levantada e uma outra figura sugando meu cérebro pelo canudinho. Era o retrato da exploração a que o jornal nos submetia. No ponto de ônibus, me segredou a versão da Bíblia em quadrinhos que tinha em mente desenhar: uma Bíblia à la Irrthum, punk, cheia de sexo, sangue, porrada e loucura (não muito diferente da original, é verdade, mas no desenho dele ficaria o máximo). Devo ao Irrthum saber hoje trabalhar com o Photoshop, programa que dominava como ninguém. Perdi o contato com ele, depois que saí do jornal. Soube que foi morar no interior, de onde tirou ainda mais inspiração para suas histórias malucas e seus desenhos barroco-lisérgicos. Recentemente lançou um revista, que ainda não li, mas que deve ser genial, como tudo do Irrthum. Descobri o site dele no blog do Alves, outro cartunista dos bons. Vale uma visita ao Irrthum . E depois comprem também a revista "A comadre do Zé", já nas bancas.

26/03/2009

Vira e mexe me perguntam: você viu tal filme? Envergonhado, quase sempre respondo que não: por acaso um doutorando em cinema tem tempo de ir ao cinema?

24/03/2009


Todo ano eu faço.

21/03/2009

Madonna é filha de uma época em que se buscou fazer, do próprio corpo, um discurso publicitário de poder. Schwarzenneger e Michael Jackson são dessa mesma época. O primeiro tornou-se um político de direita, um dos ícones da política massa bruta, burra, tacanha e truculenta (como seus personagens no cinema). Já Michael virou uma caricatura de pop-star, mutante cuja fisonomia de ectoplasma traduz perfeitamente aquilo que ele é, no plano moral: um adulto com sérios problemas. E a Madonna? Publicizou o mito da mulher forte, "independente", mas sucumbiu à família nuclear casando-se com o péssimo cineasta Guy Ritchie. Pobrezinho...

20/03/2009

Carol e o Tímpano

Minha amiga Carolina Brauer, musicista e jornalista de boa água, acaba de inaugurar o seu "projeto Tímpano". Conforme esse projeto, a Carolina dá aulas de música para a criançada e até para bebês. Que venham os futuros Jimmy Pages, Pacos de Lucía e Joões Gilberto, embalados pela Carol! Vale conferir o site do Tímpano, muito bacana, por sinal.

17/03/2009

16/03/2009

Alguém que vê a Madonna como modelo de feminilidade, modelo de "mulher moderna", só pode ter problema de cabeça...

14/03/2009

12/03/2009

Minha tia conferiu a estréia do "Filho do boi Coringa". De repente, um dos atores apareceu como veio ao mundo. Ela olhou, fez seus cálculos e manifestou: ele está de malha transparente, não é possível. Mas a "coisa" balançou, a um movimento mais eloquente do ator. Foi aí que minha tia finalmente percebeu: o cara estava realmente pelado...

11/03/2009

Certa vez, meu pai ganhou um concurso de peças teatrais, e o Palácio das Artes resolveu encenar "O filho do boi Coringa". O espetáculo foi um sucesso (com o aparecimento do 1º nu masculino da história do teatro mineiro, reza a lenda - um escândalo). Aí perguntaram o velho se ele já tinha ido ver a peça. Ao que ele respondeu: "Ainda não. O ingresso está muito caro." (O registro é do Aloísio de Moraes, no jornal "Pauta", do Sindicato dos Jornalistas).

08/03/2009

Outra do velho

Perguntaram pro meu pai, nos idos da ditadura, o que ele estava achando da situação. Ao que ele ripostou: "Bem, há as classes armadas e as classes alarmadas". (Essa o Sebastião Nery registrou no livro "Folclore político".)

06/03/2009

Jornalista, meu pai sofreu as consequências da ditadura: falta de trabalho e censura. Escondeu um de seus pares (o Rachid, grande cara), na garagem de casa durante seis meses. A gente morava num bairro distante (o Eldorado), daí que não incomodaram o Rachid enquanto lá ficou, até que pudesse fugir para Brasília. O Wander Pirolli, falecido há coisa de dois anos, escreveu uns lances sobre o velho numas crônicas que fez para a rádio Inconfidência. Quando eles trabalhavam no "Sol", meu papi sapecou uma manchete pesada em letras garrafais na primeira página do jornal. O editor chamou o velho e deu-lhe uma bronca. O velho saiu-se com essa: "Foi o título mais leve que consegui encontrar".

05/03/2009

Presentim pra Folha

Tem gente que acha que mudando de carro vai mudar de vida. Só o que conseguem é ficar um pouco mais idiotas...
Onde foi parar o bizarro deputado do castelo? Decerto não recolheu-se ao calabouço. Apareceu livre, leve e solto numa "sessão" plenária outro dia, com direito a tapinha nas costas e o glacê da mais pomposa retórica : "O ilustre deputado é um homem de bem, um homem honrado". E aquele incrível arquivo-vivo, além de dono de mansão paradisíaca à beira-lago, também o homem que controla o orçamento milionário do Senado? Sarney deu jeito de varrê-lo para debaixo do tapete, antes que a sujeira respingasse nele e noutros figurões. "Não há nada que deslustre o nobre funcionário, um dedicado cumpridor dos deveres a quem esta casa é sobretudo devedora". E como.
Tô meio sem tempo de desenhar, então vai aqui uma piadinha escrita.
Reação do Lula quando viu a Dilma Roussef depois da cirurgia plástica:
- Ficou ótimo, Dilma! Agora só falta deixar crescer a barba e fazer uma operação de troca de sexo!

27/02/2009

Sarney

Tenho pavor de figuras “públicas” como o José Sarney. Há um filme do Glauber Rocha, Maranhão 66, que já mostra este senhor no palanque d’algum sertão nordestino em 1966, rodeado por miseráveis, fazendo um discurso tão ruim quanto o que sempre se esforça em fazer, hoje, nas tribunas do Senado. Além do texto preciosista, fraco, insosso, é preciso ter estômago para agüentar a figura física e moralmente execrável desse parasita do estado brasileiro desde tempos imemoriais. O Glauber foi brilhante ao colocar, no filme, cenas de gente semi-morta, famélica, doente e assolada por moscas nos hospitais públicos do Maranhão, enquanto o Sarney derrama seu palavrório em off. Uma ironia que, por sorte, o “alto acadêmico” Sarney não percebeu: foi ele o financiador do filme. O que talha o sangue é saber que, quando essa figura grotesca morrer, não faltarão homenagens ao “ilustre brasileiro, defensor dos fracos e dos oprimidos, baluarte da luta pela liberdade em nosso país, elevado caráter e artesão supremo do nosso vernáculo”. Tudo pago com dinheiro seu, meu, nosso, naturalmente. Dá ânsia de vômito.

25/02/2009


Um editorial da Folha chamou a ditadura militar de "ditabranda", o que gerou um manifesto de repúdio de vários intelectuais. Eu assinei o manifesto e fiz esse desenho. Para conferir o texto, vão lá no blog do Massote: http://massote.pro.br.

20/02/2009

Leiam nesta matéria do "El país" http://www.elpais.com/articulo/agenda/Quien/mono/vineta/elppgl/20090220elpepiage_3/Tes a recente polêmica sobre a charge de um caricaturista do New York Post, um jornal reacionário, na qual o Obama é vítima de preconceito descarado. Como eu disse aí embaixo, cartum bom é para poucos.

Do humor

Encontrei um fã dos meus cartuns (talvez o único) na fila do banco. Conversa vai, conversa vem, enumerou algumas coisas de que gosta em matéria de humor gráfico. Citou, por exemplo, um site que odeio, o charge.com, e outro, que também detesto, o humortadela. Em contraponto ao fã, falei dos irmãos Caruso e de como esses gênios da charge derrubaram um presidente, nos anos Collor. Bem, aqui vai uma necessária canônica: por que os Caruso são melhores do que o charge.com? Ora, por que a parafernália audiovisual de que o charge.com se vale não acrescenta nada à tradição da boa caricatura: os desenhos são de um péssimo realismo e as piadas são apelativas. A caricatura, como se sabe, é filha bastarda do desenho clássico. Nasceu, se se quiser uma data burocrática, nos intervalos das aulas no ateliê dos irmãos Caracci, durante a Renascença. Nesse sentido, trata-se de um exercício primeiramente visual. Por último, vem o texto, que, necessariamente, deve ser mínimo, senão ausente. Os Caruso, por exemplo, dão o recado com o mínimo de palavras e o máximo de desenho. Seus trabalhos ficarão expostos no museu do cartum. O charge.com vai desaparecer miseravelmente, junto com quase tudo que se faz hoje no mundo virtual...

16/02/2009

Tirando a Alice Salles, ninguém escreve ao coronel. Acho que vou fechar este blog.

12/02/2009

11/02/2009

É preciso fazer alguma justiça a "Yellow submarine", entretanto. É um filme de baby-boomers, gente ainda sob a influência do pós-guerra. Veem-se, muitas vezes, os azuis a bombardear a cabeça de um general ou coisa assim (talvez o próprio Sargento Pimenta). Trata-se, sem dúvida, de um herói de guerra inglês. O que o filme parece querer dizer, afinal, é que está-se em outro tempo, um tempo em que a hegemonia (no sentido gramsciano) dos países ocidentais (dos aliados, enfim), vai se dar, agora, pela via da cultura e não à custa de chumbo. Era a mensagem da época: revolucionar, subverter a cultura, por que é nela que repousam, latentes, todos os males do mundo. Mas "Yellow submarine" subverte, ao se manter fiel à historinha linear e maniqueísta? Claramente não. O filme só resiste, então, como testemunho da extraordinária criatividade e domínio técnico dos desenhistas, os grandes responsáveis pelo seu sucesso.

10/02/2009

Revi o "Yellow submarine" dos Beatles pela enésima vez. Alguns desenhos ainda parecem fantásticos (a animação é soberba, uma obra-prima da psicodelia), mas a impressão geral é que tudo soa um pouco datado. O "peace and love" do filme é puro devaneio, especialmente quando se pensa nas guerras que rolavam na época. Os "azuis" surgem como uma clara referência ao comunismo, embora inconfessada. Isso não seria problema se a antítese aos "azuis" não fosse tão falsamente estável, pacífica, bonitinha e bucólica. (Mais tarde, esse apelo a um mundo nirvânico, lindinho e florido sucumbiria miseravelmente, sob a consciência anárquica dos punks, críticos ferrenhos da monarquia e do capitalismo pós-industrial.) Engraçado, até a música parece agora datada. Os desenhos, entretanto, conservam frescor e genialidade. Sabem o que acho? Os desenhistas poderiam ter feito miséria com toda a tecnologia, grana e disposição que tinham no período. Mas aí veio um roteirista, talvez egresso da publicidade e, abençoado pelos Beatles, bolou aquele script fuleiro...

04/02/2009

Borges, fundamental

Si el sueño fuera (como dicen) una
tregua, un puro reposo de la mente,
¿por qué, si te despiertan bruscamente,
sientes que te han robado una fortuna?

02/02/2009

O boi do sacrifício

O Massote é um homem do verbo. Ligou-me hoje para falar sobre o boi do sacrifício. Entre os tiranos gregos, era comum que pusessem um homem dentro da escultura oca de um bovino, sob a qual ateavam uma fogueira. O sacrificado urrava como boi e aquilo tudo era um entretenimento apresentado em praça pública. O Massote sugere o método para cuidar de determinadas figuras da cena política. Por que não o Sarney?

01/02/2009